Panorama

Flávio de Antônio de Angelis
flaviodeangelis@panoramaassessoria.com.br

A MAGIA DA AGILIDADE!
No curto espaço de três semanas os ouvintes do Informasom, da 94 FM, emitiram três sinais significativos sobre o momento da cidade na esfera dos seus poderes Executivo e Legislativo.  Perguntados se aprovavam os cem primeiros dias de mandato de ambos, no dia 4 de abril 74 % disseram não e 26 % responderam sim com relação à Administração Municipal, enquanto dois dias depois a reprovação ao trabalho da Câmara foi de 80% x 20%. Na enquete do último dia 27 de abril, 67 % responderam que a Câmara está amarrando a atuação da Prefeitura, enquanto 33 % entenderam  que não.
Somente para efeito de sondagem, sem nenhum rigor científico e limitado ao universo de ouvintes que tem acesso a internet, ainda assim entendemos que essas pesquisas podem estar emitindo alguns recados, basta querer ver, ouvir e ler, mesmo não havendo nada expressamente mostrado, falado e escrito. Na verdade, o que os ouvintes da 94 FM sinalizaram com essas respostas, em primeiro lugar é que estão literalmente saturados com a ausência de expectativa de modificação do estado letárgico em que a cidade se encontra já a algum tempo, da mesma forma que não têm mais a menor tolerância para com aqueles perniciosos embates verificados no mandato passado entre Prefeitura e Câmara.
Tentamos, mas não encontramos outra explicação para o rigor com que somente poucos mais de três meses de mandato foram assim avaliados, quando não é difícil saber que em tão pouco tempo é praticamente impossível mostrar qualquer resultado que seja, a não ser algumas sinalizações. Dentro dessa mesma linha de raciocínio, não conseguimos ver onde a Câmara de Vereadores possa estar amarrando a atuação da Prefeitura nesses poucos meses de administração, se é que houve tanta coisa, assim, para ser amarrada.
Depois de tudo que vivemos lá atrás e após tantas mirabolantes expectativas criadas quando da campanha eleitoral, podemos concluir que a cidade não tem mais paciência para ficar aguardando a concretização de idéias, propostas, compromissos, muito menos promessas.
Chega de tantos desejos de decidir, que só tem ficado na intenção, como a confirmar aquela historia dos três sapinhos que estavam em uma grande pedra dentro do rio, quando um decidiu pular e continuaram os mesmos três na pedra, simplesmente porque ele havia decidido pular na água, mas não pulou.
Em Bauru está acontecendo a mesma coisa.

Tanto o Executivo quanto o Legislativo sabem tudo o que tem a fazer na busca da concretização de tantas incontáveis boas intenções que anunciaram na campanha eleitoral, mas não conseguem transformá-las em ações, como que ignorando o elementar ensinamento que aponta uma reta como a menor distância entre dois pontos. Tudo indica que a cidade adotou uma curva – ou seria um labirinto? – para definir os caminhos que ajudem a encontrar as soluções para todos os seus desafios, sejam eles pequenos ou enormes, já que o que não nos faltam são problemas de todos os tamanhos.
O mínimo que uma cidade que tem pressa em recuperar o tempo perdido precisa fazer é acelerar o seu passo, mas parece que ninguém se preocupa em elaborar, por exemplo, uma agenda positiva que comprometa tanto a Administração como a Câmara e, muito especialmente, todas as forças que felizmente existem em cada canto desta cidade para que, com todos irmanados pelo desejo comum de reconquistar o caminho do desenvolvimento, com muito maior clareza e vigor sejam definidas as nossas prioridades e buscadas as soluções onde elas estiverem. Afinal, se dá certo no mundo corporativo, porque a atividade pública também não pode adotar a sistemática básica que leva qualquer empresa a vencer desde que consiga formular os seus problemas de maneira clara, saiba estabelecer as metas específicas e estimular o surgimento de quantas idéias puder e consiga concluir pela melhor, assumindo, decidindo, fazendo já o que tem para ser feito?
Já dissemos anteriormente, mas não custa repetir que, mais do que comprovar que, de fato, são melhores que os adversários que derrotaram na eleição passada para chegarem à Câmara e à Prefeitura, os candidatos de ontem e eleitos de hoje, têm como missão prioritária resgatar a confiança do eleitorado bauruense na política, pois motivos para desacreditar dos seus homens públicos, lamentavelmente, nos últimos tempos não nos tem faltado. Querendo crer que essa atual geração de homens públicos que ocupa a Administração Municipal e a Câmara de Vereadores esteja minimamente preocupada com isso, que ela saiba como fazer para, quando chegar a hora, ser absolvida no julgamento que a história sempre faz de cada geração, pelas coisas que elas foram capazes de produzir.

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